O General

foca-carcere

O General já sabe que quer o corpo
Não o corpo frio matéria, mas o corpo movente
Nenhum ideal sobrevive à presença do corpo
Para ser é necessário alguém que o receba dentro
Não como aguda lãmina que estiola
Mas como viva carne que contenta e ri

Fazer é ser dentro do outro
Uma palavra minha saindo da tua boca
Depois da infância o corpo espera como palavra

o seu lugar na frase do convívio
A escuta é um ponto de interrogação
O corpo que escuta é uma página branca
Escreva no meu corpo enquanto te olho
Meu olhar, uma vez tão caro a mim…

Procuro o meu lugar na frase
Descruzando as pernas te renovo o fôlego
Já se apóia a minha cabeça sobre a minha mão

Nesta sentença há dois lugares para o abraço:
Quando nos encontramos e ao nos despedirmos

O General prometeu nunca mais tocar neste assunto

Octavio Camargo

Desenho de 2000.  Série Anos Negros.

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